17 de novembro de 2015

Madu Lopes - O moço que traz nos olhos Luz de estrelas...

A história que tenho para contar sobre o Madu é longa. Uma saga, uma verdadeira odisseia! Uma caça ao tesouro! (A dica: se você não tem paciência para histórias longas, sagas e afins... pula tudo e vai direto para o penúltimo parágrafo, ok?)...

Era 2012. Navegando por uns blogs (nem me lembro mais procurando exatamente o quê), me deparei com um recorte de um quadro de um São Francisco todo doçura, de olhar tão terno que chegava a causar até um alento bom no meu coração, só de olhar naqueles olhos! Fiquei completamente a-pai-xo-na-da naquele Francisco! ... Na tal postagem naquele blog (que era por ocasião do dia de São Francisco de Assis - 4 de outubro) não havia nenhuma menção sobre o autor da belíssima obra. Então eu entrei em contato com a blogueira, mas ela, infelizmente, não sabia a autoria e nem sequer lembrava de onde havia copiado a imagem... Era uma pena... Lamentamos juntas essas "coisas de internet" e eu estava diante de uma busca que levaria ano e meio, sem nenhuma pista para descobrir quem seria o autor daquela belezura...

Detalhe de obra do artista Madu Lopes - RS
A imagem que me "causou"

Então eu comecei fazendo na internet diversas buscas de imagens de Sanfra (apelido carinhoso pelo qual uma amiga querida costumava chamar o santo - "assim-ó", na maior intimidade). Bem, fiz diversas buscas no google - total no escuro! Nem é preciso dizer que encontrei váááárias outras imagens de Franciscos - nenhuma aquela com aqueles olhos de doçura. Por várias vezes, no período de 1 ano mais ou menos, eu desistia e tornava a procurar para depois desistir de novo e para, em seguida, tornar a procurar outra vez... 

Foi assim até que me dei por vencida... Estava já conformada com a lição de desapego que Sanfra estava me aplicando, afinal, ele próprio, sendo talvez o símbolo-mor de desapego material e humildade no ocidente católico, devia estar querendo me dar um ensinamento: que eu bem podia seguir vivendo em paz sem um quadro lindíssimo daquele Francisco encantador... (Podia??). E... acaba que me acostumei (mentira!) à ideia de ter aqueles olhos ternos olhando para mim apenas e tão somente no meu desktop. (Ah... sim..., eu preciso confessar: copiei a imagem do tal Francisco encantador para me acalentar o coração nos dias, por vezes bastante estressantes, de trabalho ao computador).

Pois é... Muita gente diz que justo quando a gente desiste de achar algo que perdeu é que encontra; ou quando desiste de lembrar algo, um sonho, o nome daquele coleguinha do primário..., quando a gente desiste de lembrar, daí é que lembra!... E aconteceu que eu já nem estava mais procurando o autor daquele Francisco e... E foi então que eu o encontrei!!! (Sim, para confirmar a sabedoria popular, né?).

Num final de semana de 2013, em Gramado (RS), entrei numa loja fofa de artigos de decoração. E lá dentro dessa loja eu me deparei com dois quadros belíssimos, um Francisco e um Antônio, com os mesmos olhos ternos, a mesma doçura singela, a mesma palheta de cores, a cabecinha igualmente inclinadinha pro ladinho... Fiquei eufórica! Apontei os quadros pro meu marido, tentando não "dar pinta" na loja: "Minha Nossa! Olha isso! Esses traços são os mesmos do artista que eu tanto procurei! Daquele quadro de Francisco!!! Lembra?".

Não. Não foi exatamente assim. Não com toda essa comunicabilidade - não mesmo! Eu trepava as palavras, eu engolia as sílabas, eu gaguejava... Devo ter "dito" algo mais próximo disso: "Minha Nó... Minha Nó! Ó! É o, é o, é ele! É ele! Que eu tanto..., ai, num tô acred... Cê tá vendo isso?? Minha Nossa! Achei!!!"

Meu marido pouco compreendeu, mas a dona da loja, percebendo a minha indisfarçável agitação diante dos quadros, deu uma risadinha solidária (dessas risadinhas de quem é completamente capaz de compreender uma reação como a minha), e falou “ah, eu também adoro os quadros desse artista...”. Os quadros estavam no alto e eu não conseguia ler a assinatura. Aflita, perguntei: “Dona, qual o nome do artista, por favor?” (“pelamôôôr!!!”).

- Madu Lopes. É um artista de Pelotas - ela disse.

Agradeci à dona e saí da loja repetindo o nome: "Madu Lopes, Madu Lopes, Madu Lopes... Ai, que lindo! Madu Lopes! Madu Lopes!" - até poder anotá-lo num papel para procurar depois...

A vida, o acaso, (São Francisco??), ou sei lá "quem" acabava de me dar uma resposta para aquela afetada resignação sobre o aprendizado compulsório de desapego: NÃO, eu NÃO poderia seguir vivendo em paz sem um quadro lindíssimo daquele Francisco encantador! E agora eu estava felicíssima por isso! Porque agora eu tinha como encontrá-lo!

Bom, isso é mania minha: gosto de comprar, sempre que posso, peças diretamente com quem faz. Saindo da loja naquela ocasião, com o nome do Madu anotado num bloquinho, passei a procurar por ele na internet e (ah, agora sim, foi bem fácil!) fiz um contato, umas encomendas, trocamos ideias, foi ótimo! E fiquei encantada com o Madu! Eu tinha vontade de abraçar o Madu pelo e.mail!

(Imparcialidade, Simone! Isso aqui pretende ser um blog sério.)...

Madu Lopes é um artista gaúcho que vive hoje em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Um artista lindo, fofo, encantador! Assim como seus Franciscos, suas gatas, seus unicórnios, suas Fridas e fadas, seus "passaritos" e pequenos príncipes, seu Adão e sua Eva, seus personagens masculinos de grandes cílios dóceis e feminis contrastando com uma barba e bigodes que nos espetam, suas mulheres de cabelos espiralados, emaranhados feito ninho, ocupando na tela mais que o espaço que caberia a um cabelo e vindo invadir o lugar do nosso imaginário mais pueril...

Utilizando materiais diversos (porongos, tocos e madeira de demolição, arames, pontas de pincéis velhos etc...), Madu faz um mergulho profundo e traz à tona cores, formas, símbolos, feições, memórias, afetos... E nos coloca diante disso tudo como se o mergulho fosse também nosso! As figuras e personagens do Madu parecem saídos dos contos delicados dum livro mágico, perfumado de alecrim, sacado de uma estante fantástica onde se guardam não livros, mas sonhos. Os sonhos mais belamente coloridos e benfazejos que possamos imaginar sonhar... Os sonhos onde podemos voar alegremente com o simples esforço de abrir os braços de encontro ao mais terno, onírico e profundo que trazemos dentro de nós mesmos...

Quer conhecer o trabalho do Madu? Então dá um pulinho no seu "estrelário", aqui, ó!
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