30 de agosto de 2017

Carta aberta sobre a importância de dar os créditos, sobre corrupção e sobre o que uma coisa tem a ver com a outra (e você com isso)

Breve reflexão sobre a 'nossa parte nisso tudo'...


Alguns anos atrás, uma grande amiga, mãe de um menino com então 7 ou 8 anos, conversou comigo, estupefata, sobre o que tinha visto na feirinha de ciências na escola do seu filho. Na feirinha, vários estandes foram montados de acordo com os temas propostos para pesquisa e os trabalhinhos das crianças eram expostos em murais para que todos pudessem ler.

Essa amiga comentou que nenhum dos trabalhos citava a fonte (vá lá, trabalhinhos de crianças nessa idade não precisam necessariamente ter bibliografia, elas ainda terão tempo para aprender isso... Mas por que já não ensiná-las numa oportunidade como essa?). 

O que causou espanto em minha amiga, no entanto, não foi isso. Dentre aqueles trabalhos, havia um que era simplesmente um "print de tela" de uma página da internet, sem o cuidado sequer de uma edição do conteúdo. Não sei se uma criança de 7 ou 8 anos àquela época teria expediente para fazer uma busca no google, entrar num site dentre os encontrados com aquele tema e mandar imprimir o que achou a respeito... Suspeitamos que ela sequer tenha participado efetivamente daquela "pesquisa". E tampouco o seu "responsável"... Assim fosse, o "trabalho" impresso não traria também links e propagandas do site de onde fora extraído, demonstrando desleixo e escancarando a 'pirataria'.

Ficamos nos perguntando, minha amiga e eu, como é que aquele pai ou mãe não sentia vergonha de representar um 'papelão' daqueles... E ela, que é mãe, se perguntava ainda isso: o que aqueles pais estavam ensinando para aquela criança?

Nos últimos anos o nosso país tem sido assolado por notícias de corrupção e todos reagimos com justificada indignação, mas poucos realizam que a corrupção existe e se manifesta o tempo todo em pequenas coisas no nosso cotidiano... e que somos coniventes, quando não, agentes.

Poucos enxergam a corrupção, por exemplo, num "trabalhinho" impresso a partir de uma página da internet e apresentado na escola como se fosse do aluno; ou quando um de nós, por extremo cansaço ao fim de um dia de trabalho, na volta para casa, parece não notar que outras pessoas aguardam na porta do metrô para que saiam alguns passageiros da condução e, então, impaciente, entra esbarrando naqueles que estão por sair e "trapaceando" uma fila onde outros (possivelmente tão cansados quanto ele) aguardam educadamente a sua vez de entrar; ou ainda quando, naquele ansiado feriadão, no trânsito parado na estrada a caminho da praia ou da montanha, encontramos justificativa para "tirar o atraso" seguindo pelo acostamento...  

(Tratando-se de justificativas, aliás, se observarmos os "grandes corruptos" que têm sido pegos de "calça arriada" ultimamente, excetuando-se aqueles providos de boa dose de cinismo para negar o inegável até o fim, todos os demais terão alguma justificativa para o ilícito cometido...).

A corrupção existe onde as pessoas acham certo fazer o que sabem ser errado. E isso nos toca a todos em algum momento da vida... Os "grandes corruptos" que temos visto na TV e aqueles "pequenos" com quem convivemos (ou encarnamos, nós mesmos) no dia a dia, no cruzamento trancado no trânsito, na fila do transporte público para casa, na ultrapassagem pela direita... guardam em comum mais coisas do que podemos (ou temos a coragem de) suspeitar... Porque tudo esbarra numa questão de valores. E não me refiro aqui a montantes em dinheiro dentro de malas passadas de assessor a assessor... Me refiro a caráter, justiça, hombridade e senso de bem-comum que devem ser aplicados a todos (e não só a mim e não só quando convém). E, se pensarmos bem sobre esses valores, vamos concluir que sua base reside numa certa humanidade, que temos visto escassear sob as mais absurdas justificativas...

(Neste e em outros âmbitos, aliás, as "justificativas" têm servido apenas para que continuemos cometendo os mesmos erros de sempre livres do desconforto da vergonha que seria justo sentirmos...).

Por isso, retomando o mote que nos primeiros parágrafos serviu para introduzir esta reflexão, eu venho apelar para uma coisa muito simples, pequena e desimportante: se você gostou do que leu por aqui sobre algum artista, se quer copiar uma foto porque se identificou com ela, se vai apresentar um trabalho na escola (ou se você é o pai que vai ajudar o filho nisso) sobre barroco ou arte naif ou outros temas que eu acabo desenvolvendo neste espaço, se vai se valer de informações que encontrou aqui, seja honesto: cite a fonte e dê os créditos

Resgatemos o bem, o zelo, o respeito, a cordialidade que todos queremos e que nos têm feito já tanta falta; retomemos os nossos valores; sejamos melhores do que temos sido; sejamos mais humanos, mais justos e verdadeiros. É mais fácil do que a maioria pensa. Basta querer.

"Seja a mudança que quer ver no mundo". A frase, atribuída a Mahatma Gandhi, é inspiradora... Sejamos essa mudança, então! E comecemos pelas pequenas coisas, pelas "menos importantes", que são as mais tangíveis, porque é delas que estamos cercados e é com elas que construimos a nossa vida, o dia a dia, nosso cotidiano... E porque nas menores coisas e nas pequenas atitudes, afinal, já estamos escolhendo e definindo o que queremos, o que valorizamos e quem somos. Comecemos por elas. E comecemos desde já!

Grata,
Simone dos Santos.


Coisicas Artesanais - Simone dos Santos
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